segunda-feira, 12 de março de 2012

Tempo/Espaço na Modernidade Líquida

     Utilizando-se da metáfora "fluidez" ou "liquidez", o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma que na era moderna nada é sólido, duradouro ou previsível e que as mudanças acontecem de forma veloz e contínua. "O derretimento dos sólidos", característica da modernidade, coloca  os padrões de comunicação e coordenação entre as políticas de  vida individual, de um lado, e as ações políticas de coletividades humanas, de outro. Esse derretimento é típico de uma era em que não se deve ter compromisso duradouro com nada e o cuidado em manter o desapego. Sendo assim, a individualização é a consequência  do desprendimento dos laços de pertencimento social, o que provoca uma sensação de liberdade. Essa suposta liberdade está relacionada ao poder de consumo individual dos que vivem em comunidades onde suas fronteiras os mantêm afastados dos riscos e perigos da cidade. Na modernidade, segurança é a principal reivindicação da  sociedade.
       A vida urbana requer a habilidade da "civilidade" que  consiste na atividade das pessoas se manterem próximas sem, contudo, descartar a máscara social que as protegem da exposição dos seus sentimentos , sonhos e angústias.
      Nas cidades contemporâneas, existem lugares comuns denominados de "espaços públicos" que Bauman classifica em duas categorias que, embora sejam complementares, ambas se afastam do modelo ideal do espaço civil. Inicialmente na primeira categoria, ele exemplifica a praça La Defense, em Paris, como sendo um espaço urbano, não-civil, que não oferece hospitalidade às pessoas que ali transitam, bem como não inspira a permanência dessas pessoas, no local. Já na segunda categoria de espaço  urbano, também considerado não-civil, é destinado apenas ao consumo. São exemplos desse espaço: os shopping centers, as salas de exibições, as áreas de esportes, ou seja, locais onde as pessoas não interagem. Nesses espaços as atividades são desenvolvidas  individualmente e vivenciadas de forma subjetiva. Esses espaços "públicos-mas-não-civis" são caracterizados pela falta de prática da arte da civilidade, uma vez que como são lugares onde os indivíduos estranhos não interagem não precisam, assim, lidar com as diferenças, o que requer estudo e exercício. Citando Georges Benko, que chama esses lugares de "não-lugares" por serem espaços que não estabelecem relações com o sujeito. " Um não-lugar é um espaço destituído das expressões simbólicas de identidade, relações e história..." Já os espaços vazios, denominados assim por Jerzy Kociatkiewicz e Monika Kostera, são os espaços que não têm significado para o sujeito.
        Pra Bauman, " a modernidade é o tempo em que o tempo tem uma história" O início da era moderna é demarcado pela emancipação do tempo em relação ao espaço. Na era do hardware, ou modernidade pesado, a conquista do espaço era objeto supremo, ficando o tempo subordinado ao espaço , às vezes tinha que ser flexível e maleável, às vezes era preciso ser rígido, uniforme e inflexível. Com o advento do capitalismo de software  e da modernidade "leve", o espaço passa à condição de irrelevância, pois pode ser atravessado em "tempo nenhum", cancelando a diferença entre o longe eo perto, e desbancando o espaço do lugar privilegiado. A "instantaneidade" do tempo desvalorizou o espaço. O tempo , na sociedade moderna, está relacionado às questões que envolvem velocidade e flexibilidade e expansividade. As pessoas que se movem e agem com rapidez, mandam, as que resistem em fixar-se num endereço, obedecem. A permanência e a durabilidade , na modernidade líquida,  perderam 














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