Sobre
a inclusão digital
Embora o termo exclusão tenha ganhado
evidência nas últimas décadas, segundo Ribeiro (1999), trata-se
de uma expressão usada desde os primórdios da humanidade para referir-se ao
processo de segregação por questões religiosas, políticas, étnicas, econômicas
e de saúde. É um termo amplo e tem promovido discussões em torno do seu uso,
seja relacionado às questões sociais, ao mundo do trabalho e a questões que
envolvem os serviços prestados pelo Estado. Atualmente está associado ao
surgimento das políticas neoliberais que têm promovido o desemprego e o aumento
do estado de pobreza da população, caracterizando assim o modelo da sociedade contemporânea.
Na discussão sobre a abordagem crítica desse termo Bonilla (2011) cita Castel (2003) para
relacionar a exclusão social como “uma problemática social que se constitui a
partir da existência de indivíduos afastados de seus pertencimentos coletivos,
vivenciando carências ou desvantagens sociais: pobreza, falta de trabalho,
sociabilidade restrita, condições precárias de moradia, entre outras.” Apesar
desse afastamento, os indivíduos continuam a pertencer a sociedade, daí alguns
autores, como é o caso de Nardi(2002) não concordar com o termo “excluídos”. Trilhando
esse raciocínio, não faz sentido também falar em inclusão, uma vez que incluir
pressupõe colocar para dentro, mas como foi dito os indivíduos, ainda que
marginalizados, já estão na sociedade. A
sugestão para um melhor entendimento da inclusão/ exclusão consiste em
nos aprofundar historicamente no processo que deu origem as desigualdades
sociais e econômicas e, buscar compreender qual o papel do Estado nesse percurso.
De
acordo com Bonilla (2011), a substituição do termo exclusão pelo conceito de “desfiliação
social”, como propõe Castel (1999), consiste na ideia de focar nas causas dos
problemas sociais, bem como analisar os processos que geraram esses problemas. Para
poder, a partir daí promover uma transformação nas estruturas e nas dinâmicas
sociais.
No âmbito das políticas públicas, a
exclusão social tem sido tratada de forma equivocada e desarticulada. Um
exemplo disso é a implantação do sistema de cotas nas universidades e nos
institutos de educação. Ao invés de modificar a estrutura da educação básica, o
Estado opta pela politica compensatória que promove uma inclusão que só reforça
a característica excludente da sociedade capitalista. Sobre isso, Ribeiro
(1999) afirma que “a luta pela inclusão é também uma luta para manter a
sociedade que produz a exclusão.”.
Da mesma forma que os termos exclusão e
inclusão são inapropriados quando discutimos a questão social, os termos
exclusão e inclusão digital também não dão conta da questão que envolve o uso
das TIC no contexto da sociedade da informação. Parece óbvio que numa sociedade
desigual, a população pobre não tenha acesso às tecnologias de informação e
comunicação. Daí, incluir essas pessoas nessa sociedade informacional significa
possibilitar o acesso igualitário e o uso pleno das TIC de forma a ampliar o
que propõe as políticas públicas para a superação da pobreza ou das desigualdades
sociais. (BONILLA, 2011, p.43).
O que estamos presenciando em relação às
politicas públicas para diminuir as desigualdades sociais é a inclusão digital
através da aquisição e manuseio do computador sem, contudo aliar a essa ação uma
participação ativa e questionadora do consumidor. Ao contrário disso, é preciso
articular o uso das máquinas às atitudes que consistem na produção, na
interação, na tomada de decisão para que as pessoas possam se sentir plenas na
efetivação dos seus direitos, se situarem
como donas da sua história e poderem exercitar a sua cidadania.