terça-feira, 29 de maio de 2012


Sobre a inclusão  digital




       Embora o termo exclusão tenha ganhado evidência nas últimas décadas, segundo Ribeiro (1999), trata-se de uma expressão usada desde os primórdios da humanidade para referir-se ao processo de segregação por questões religiosas, políticas, étnicas, econômicas e de saúde. É um termo amplo e tem promovido discussões em torno do seu uso, seja relacionado às questões sociais, ao mundo do trabalho e a questões que envolvem os serviços prestados pelo Estado. Atualmente está associado ao surgimento das políticas neoliberais que têm promovido o desemprego e o aumento do estado de pobreza da população, caracterizando assim o modelo da sociedade contemporânea. Na discussão sobre a abordagem crítica desse termo  Bonilla (2011) cita Castel (2003) para relacionar a exclusão social como “uma problemática social que se constitui a partir da existência de indivíduos afastados de seus pertencimentos coletivos, vivenciando carências ou desvantagens sociais: pobreza, falta de trabalho, sociabilidade restrita, condições precárias de moradia, entre outras.” Apesar desse afastamento, os indivíduos continuam a pertencer a sociedade, daí alguns autores, como é o caso de Nardi(2002) não concordar com o termo “excluídos”. Trilhando esse raciocínio, não faz sentido também falar em inclusão, uma vez que incluir pressupõe colocar para dentro, mas como foi dito os indivíduos, ainda que marginalizados, já estão na sociedade.  A sugestão para um melhor   entendimento da inclusão/ exclusão consiste em nos aprofundar historicamente no processo que deu origem as desigualdades sociais e econômicas e, buscar compreender qual o papel do Estado nesse percurso. De acordo com Bonilla (2011), a substituição do termo exclusão pelo conceito de “desfiliação social”, como propõe Castel (1999), consiste na ideia de focar nas causas dos problemas sociais, bem como analisar os processos que geraram esses problemas. Para poder, a partir daí promover uma transformação nas estruturas e nas dinâmicas sociais.


     No âmbito das políticas públicas, a exclusão social tem sido tratada de forma equivocada e desarticulada. Um exemplo disso é a implantação do sistema de cotas nas universidades e nos institutos de educação. Ao invés de modificar a estrutura da educação básica, o Estado opta pela politica compensatória que promove uma inclusão que só reforça a característica excludente da sociedade capitalista. Sobre isso, Ribeiro (1999) afirma que “a luta pela inclusão é também uma luta para manter a sociedade que produz a exclusão.”. 


     Da mesma forma que os termos exclusão e inclusão são inapropriados quando discutimos a questão social, os termos exclusão e inclusão digital também não dão conta da questão que envolve o uso das TIC no contexto da sociedade da informação. Parece óbvio que numa sociedade desigual, a população pobre não tenha acesso às tecnologias de informação e comunicação. Daí, incluir essas pessoas nessa sociedade informacional significa possibilitar o acesso igualitário e o uso pleno das TIC de forma a ampliar o que propõe as políticas públicas para a superação da pobreza ou das desigualdades sociais. (BONILLA, 2011, p.43). 


    O que estamos presenciando em relação às politicas públicas para diminuir as desigualdades sociais é a inclusão digital através da  aquisição e manuseio  do computador  sem, contudo aliar a essa ação uma participação ativa e questionadora do consumidor. Ao contrário disso, é preciso articular o uso das máquinas às atitudes que consistem na produção, na interação, na tomada de decisão para que as pessoas possam se sentir plenas na efetivação dos seus direitos,  se situarem como donas da sua história e poderem exercitar a sua cidadania.

segunda-feira, 21 de maio de 2012


 Inclusão Social


          Ao longo do tempo, a sociedade tem se mobilizado no sentido de promover a participação social dos idosos e pessoas com alguma deficiência, seja auditiva, visual, locomotora, cerebral, etc.. Algumas ações vêm sendo colocadas em prática, mas podemos perceber que não têm resolvido a questão. Um exemplo disso é a doação, por parte do governo, de cadeira de rodas para as pessoas deficientes e que não têm recursos para comprar. Todavia, essas pessoas muitas vezes não têm condições de se locomover por causa das calçadas que são inapropriadas ou porque a plataforma elevatória dos ônibus, para cadeirante, está quebrada. Assim, não adianta o benefício se a pessoa não tem condições de andar. É preciso que as calçadas sejam adequadas pra o trânsito, de todos,  que os meios de transporte coletivos estejam em condições de acesso, bem como toda a estrutura que permita o uso desse serviço. Outro exemplo: no Campus Salvador, do IFBA, tem alunos com deficiência auditiva, intérprete da língua de sinais na sala de aula, contudo os professores falam que o processo de ensino e o de aprendizagem não têm sido satisfatórios. Que inclusão é essa?. Penso que se o governo impõe a inclusão nas escolas, é preciso que dê condições para que essa inclusão seja verdadeira e não uma ação que vai machucar mais do que se a pessoa não tivesse acesso à escola, pois uma sala com aproximadamente quarenta alunos e professores desqualificados para essa prática torna-se frustrante, tanto para o professor quanto para o aluno. Por outo lado, tenho pensado numa frase que Bonilla me falou, na semana passada: “toda inclusão é excludente”. No texto “A Tecnologia Assistiva: de que se trata?”, Teófilo Galvão Filho (2009) se refere ao conceito de Desenho Universal “que trás consigo a ideia de que todas as realidades, ambientes, recursos, etc., na sociedade humana, devem ser concebidas, projetados, com vistas à participação, utilização e acesso de todas as pessoas”, ou seja, as situações são projetadas para todos, com ou sem necessidade especial, sem estabelecer uma realidade de segregação para as pessoas idosas ou com alguma limitação. Se a sociedade avançar nesse sentido, não cometerá mais o equívoco da inclusão perversa que temos presenciado e então, se transformará numa sociedade naturalmente inclusiva.  


       Quanto aos recursos tecnológicos que têm sido desenvolvidos para facilitar a independência e melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência e  idosos, podemos perceber que muito têm ajudado, não só a essas pessoas, bem como aos familiares e cuidadores que fazem parte do seu dia-a-dia.

terça-feira, 15 de maio de 2012


A Cidade Desplugada




     Desde o surgimento da internet as mudanças tecnológicas não param de acontecer e, não dá para fazer previsões sobre o futuro da informação e comunicação. Atualmente vivemos a era do desenvolvimento das mídias móveis que possibilitam a comunicação de qualquer lugar, a qualquer tempo. Trata-se da computação ubíqua, pervasiva e senciente que tem transformado as práticas sociais, a vivência nos espaços urbanos e a forma como produzimos e consumimos a informação. Estamos falando de mobilidade. Em seu artigo Cibercultura e Mobilidade: a Era da Conexão, Lemos (2004) define mobilidade como sendo o movimento do corpo entre espaços, entre localidades, entre espaços públicos e privados. E quando falamos em mobilidade pensamos imediatamente no telefone celular, pois representa, hoje, o exemplo mais popular da tecnologia móvel. Com a evolução da telefonia celular e a conexão da rede sem fio, o espaço público está se configurando em espaço de fluxos, isto é, não precisamos mais nos prender aos lugares fechados com acesso à  rede, estamos nos transformando em verdadeiros nômades da internet da sociedade contemporânea. Segundo Lemos, o celular passou a ser o “teletudo” para a gestão móvel e informacional do quotidiano. Com ele, podemos telefonar, enviar e receber mensagens, tirar fotos, acessar a internet, ouvir música, assistir TV, enfim fazer tantas outras atividades que são possíveis a partir da convergência de mídias. A desterritorialização é uma das consequências das mudanças nas tecnologias de comunicação sem fio. Com isso, a mobilidade tem modificado a forma das pessoas interagirem, alterando as relações sociais, familiares e profissionais. O vídeo abaixo nos mostra um exemplo dessas mudanças.




     Outra forma de acesso à internet sem fio que tem se multiplicado rapidamente é a tecnologia WI-FI (Wireless Fidelity), que tem reforçado a tendência mundial da conexão nômade. Podemos a partir de um hot spot, acessar a internet em diversos locais, sejam shopping centers, cafés, aeroportos, hotéis, etc. Essa forma, mais simples e rápida, de acesso a rede tem proporcionado as smart mobs  que consiste na mobilização de muitas pessoas em espaços urbanos para a realização de atos públicos, sejam eles culturais ou políticos. De acordo com a avaliação dos estudiosos na área da informação e comunicação, a mobilidade é a grande expectativa para o futuro, haja vista a competitividade das empresas  midiáticas que têm desenvolvido produtos cada vez mais sofisticados e que permitem o acesso a informação em tempo real.    
      O propósito dos ciberativistas atualmente  é o acesso livre às redes WI-FI em todos os espaços públicos como praças, jardins, parques, ônibus, consolidando assim a “Cidade Desplugada”. Contudo, para que isso ocorra é preciso que a banda larga seja uma realidade para todas as regiões e não apenas para as grandes metrópoles.