OS NÓS DO HIPERTEXTO
Na história da humanidade verificamos que
muitas das invenções humanas foram determinadas a partir das necessidades que o
homem teve para resolver seus problemas. Penso que, a internet é um exemplo dessa
busca, uma vez que após o seu surgimento, em 1969, pelo Departamento de Defesa
dos Estados Unidos, o homem encontrou a solução para a disseminação da
informação num curto período de tempo e no alcance de grandes distâncias.
O hipertexto, texto digital, multidimensional,
de natureza não sequencial e não linear, tem se constituído numa importante fonte
de construção do conhecimento, uma vez que se trata de um instrumento que
possibilita ao leitor seguir por diversos caminhos dando oportunidade de
leitura e escrita, o que favorece o desenvolvimento da cognição. Mesmo surgindo
antes da internet, o hipertexto só veio ser praticado efetivamente após o advento
da WWW, por possibilitar a interatividade entre os usuários da Web. Sendo uma
atividade que pode ser construída de forma coletiva, no caso do hipertexto
cooperativo (Primo,2002), a interação mútua entre os internautas acontece de
modo que todos sejam autores do mesmo texto, já que todos podem incluir e/ou
excluir palavras, links, gráficos, imagens, músicas etc.. Penso que, como um
espaço colaborativo, onde os usuários tem a autonomia para efetuar as
alterações que acharem pertinentes, é importante para a rede de informação
social que a participação individual seja feita com responsabilidade para que o
texto constitua-se de um instrumento confiável e de utilidade pública.
A medida que ia fazendo a leitura do artigo
de Maria Clara Aquino sobre o resgate histórico do hipertexto, fui imaginando
como surgiu a ideia do Memex, por Vannevar Bush, em 1945: a necessidade de
compartilhamento de informações, de forma rápida e eficiente entre os
pesquisadores da Agência de Desenvolvimento e Pesquisa científica do Governo
Norte Americano, a constituição do equipamento, o seu funcionamento, e daí, fui
construindo mentalmente todo o cenário da época, de forma que estabeleci
associações baseadas na prática hipertextual. Aquino (2006), afirma que o
hipertexto surgiu com a leitura e a escrita, o que acho aceitável, basta pensar
que quando estamos lendo fazemos conexões com diversos saberes e damos vazão a
criação mental.
Quando navegamos num hipertexto com o intuito
de pesquisarmos a respeito de um determinado conhecimento, devemos ficar
atentos ao nos depararmos com os nós (Levy, 1993) interconectados ao texto,
pois a medida que adentramos por esses nós (links), se não tivermos firmes no
nosso objetivos, corremos o risco de nos perdemos na rede de informações e não
realizar a tarefa inicialmente proposta. Mas, sem dúvida, esses nós fazem do
hipertexto uma opção de leitura dinâmica e atraente.
Maria Helena,
ResponderExcluirum pouco complicada esta tua afirmação: "o texto constitua-se de um instrumento confiável e de utilidade pública"
Confiável sob que ponto de vista? A quem compete classificar um texto como confiável e outro como não confiável?
Veja que vc classificou o texto como instrumento e também a partir de uma dimensão utilitarista. Será que é só isso?
para pensar...
Bonilla,
Excluiracho que o termo "instrumento" deve ser substituído pela expressão "produção coletiva". Falei em confiável no sentido de credibilidade. Como sendo uma produção livre, compete a todos que colaboram ou que buscam o hipertexto como fonte de pesquisa, conhecimento ou de comunicação avaliar as informações contidas no mesmo. Penso no caso do hipertexto como fonte de pesquisa ou informação: se as pessoas que colaboram na produção do hipertexto não agirem com responsabilidade, qual a contribuição do texto para o coletivo? Concordo com você que restringi a minha avaliação na dimensão utilitarista, buscarei as outras possibilidades do hipertexto.