terça-feira, 24 de abril de 2012


                                                 OS NÓS DO HIPERTEXTO


     Na história da humanidade verificamos que muitas das invenções humanas foram determinadas a partir das necessidades que o homem teve para resolver seus problemas. Penso que, a internet é um exemplo dessa busca, uma vez que após o seu surgimento, em 1969, pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o homem encontrou a solução para a disseminação da informação num curto período de tempo e no alcance de grandes distâncias.
      O hipertexto, texto digital, multidimensional, de natureza não sequencial e não linear, tem se constituído numa importante fonte de construção do conhecimento, uma vez que se trata de um instrumento que possibilita ao leitor seguir por diversos caminhos dando oportunidade de leitura e escrita, o que favorece o desenvolvimento da cognição. Mesmo surgindo antes da internet, o hipertexto só veio ser praticado efetivamente após o advento da WWW, por possibilitar a interatividade entre os usuários da Web. Sendo uma atividade que pode ser construída de forma coletiva, no caso do hipertexto cooperativo (Primo,2002), a interação mútua entre os internautas acontece de modo que todos sejam autores do mesmo texto, já que todos podem incluir e/ou excluir palavras, links, gráficos, imagens, músicas etc.. Penso que, como um espaço colaborativo, onde os usuários tem a autonomia para efetuar as alterações que acharem pertinentes, é importante para a rede de informação social que a participação individual seja feita com responsabilidade para que o texto constitua-se de um instrumento confiável e de utilidade pública.
    A medida que ia fazendo a leitura do artigo de Maria Clara Aquino sobre o resgate histórico do hipertexto, fui imaginando como surgiu a ideia do Memex, por Vannevar Bush, em 1945: a necessidade de compartilhamento de informações, de forma rápida e eficiente entre os pesquisadores da Agência de Desenvolvimento e Pesquisa científica do Governo Norte Americano, a constituição do equipamento, o seu funcionamento, e daí, fui construindo mentalmente todo o cenário da época, de forma que estabeleci associações baseadas na prática hipertextual. Aquino (2006), afirma que o hipertexto surgiu com a leitura e a escrita, o que acho aceitável, basta pensar que quando estamos lendo fazemos conexões com diversos saberes e damos vazão a criação mental.
   Quando navegamos num hipertexto com o intuito de pesquisarmos a respeito de um determinado conhecimento, devemos ficar atentos ao nos depararmos com os nós (Levy, 1993) interconectados ao texto, pois a medida que adentramos por esses nós (links), se não tivermos firmes no nosso objetivos, corremos o risco de nos perdemos na rede de informações e não realizar a tarefa inicialmente proposta. Mas, sem dúvida, esses nós fazem do hipertexto uma opção de leitura dinâmica e atraente.

2 comentários:

  1. Maria Helena,
    um pouco complicada esta tua afirmação: "o texto constitua-se de um instrumento confiável e de utilidade pública"
    Confiável sob que ponto de vista? A quem compete classificar um texto como confiável e outro como não confiável?
    Veja que vc classificou o texto como instrumento e também a partir de uma dimensão utilitarista. Será que é só isso?
    para pensar...

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    1. Bonilla,

      acho que o termo "instrumento" deve ser substituído pela expressão "produção coletiva". Falei em confiável no sentido de credibilidade. Como sendo uma produção livre, compete a todos que colaboram ou que buscam o hipertexto como fonte de pesquisa, conhecimento ou de comunicação avaliar as informações contidas no mesmo. Penso no caso do hipertexto como fonte de pesquisa ou informação: se as pessoas que colaboram na produção do hipertexto não agirem com responsabilidade, qual a contribuição do texto para o coletivo? Concordo com você que restringi a minha avaliação na dimensão utilitarista, buscarei as outras possibilidades do hipertexto.

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