domingo, 14 de outubro de 2012

A cidadania digital

   Ao sermos indagados, pela professora Maria Helena Bonilla,  sobre o que é ser cidadão, me ocorreu como resposta a ideia que sempre cultivei sobre o assunto: ser cidadão é buscar defender seus direitos e cumprir com seus deveres na sociedade. Entretanto, após uma intensa discussão, fomos esclarecidos que todos nós ao nascermos já somos cidadãos, sendo assim, a condição de cidadania é para todos, não consistindo em prerrogativa de ninguém. Essa condição independe de raça, gênero ou condição econômica. Ser cidadão consiste em cultivar o respeito e a responsabilidade para com o outro em qualquer espaço onde prevaleça as relações interpessoais. 
       No texto de Patrocínio (2008), Para uma genealogia da cidadania digital, o autor afirma que ainda que estejamos no ambiente virtual, o nosso compromisso com a ética  deve ser igualmente mantido como no ambiente real. No entanto,  para assumirmos uma postura responsável em relação ao outro pressupõe que tenhamos acesso à informação já que a participação na comunidade virtual  requer cidadãos bem informados e com senso crítico para poder fazermos escolhas consciente s de informações veiculadas na rede. 
       Na sociedade democrática contemporânea  o acesso ao  conhecimento deve ser um direito de todos  para que a formação do cidadão se constitua " [...]através da vivência e da experiência, do empenhamento e do envolvimento de cada pessoa na vida social da comunidade, construindo em permanência a sua identidade e os seus sentidos de pertença." (PATROCÍNIO, 2008, p. 51). Para que isso seja uma realidade para todos, é preciso que haja o interesse dos setores públicos para articular  o processo educativo nas escolas com as potencialidades proporcionadas pelas tecnologias digitais e assim proporcionar o exercício da cidadania.


A Comunicação em tempos de convergência
 


"Se a convergência vier a ocorrer um dia, será quando o investimento necessário ao estabelecimento de capacidades de bandas largas além dos usos instrumentais do mundo corporativo for justificado por um novo sistema de mídia, disposto e pronto a satisfazer a mais importante demanda latente: a demanda de livre expressão interativa e de criação autônoma ..." (CASTELLS, 2003, p.165)
 
 
          A comunicação sempre se constituiu numa necessidade básica do homem social e, através dos tempos ela foi mudando conforme as  suas necessidades. Na última década a comunicação  passou por consideráveis transformações e a partir da convergência de mídias ultapassamos a barreira da territoriedade, do tempo e da velocidade, ou seja, podemos nos comunicar com o mundo de qualquer lugar, a qualquer hora e em tempo real.  Para Henry Jenkins o mais significativo nos tempos de convergência entre computadores, telecomunicações e os meios de tradicionais de comunicação  é a cultura participativa das pessoas, que têm deixado de lado a condição de receptor passivo e passado a  consumir de forma coletiva. As interaçoes sociais ocorrem baseadas na produção coletiva de significados.
        Hoje, ao ler sobre o noticiário  da semana, me deparei com a imagem abaixo, o que me fez pensar exatamente no poder midiático que as pessoas tem lançado mão para se comunicar na rede.

            
                                                      A  reportagem informa que foto acima circula no facebook 

       A imagem original, acrescida de uma mensagem, confirma o que Jenkis (2003)  chama a atenção para o fenômeno da convergência, que é a possibilidade que o  consumidor tem de  participar da retransmissão da informação da forma que mais lhe convém. Ele afirma que " A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com os outros." Para o estudioso das mídias, quando falamos em convergência, as mudanças que estão acontecendo vão além das transformações tecnológicas, elas chegam a  transformar  o comportamento e a cultura de toda a sociedade contemporânea, bem como a forma como as empresas midiáticas produzem seus produtos para essa sociedade que está cada vez mais exigente.
     

terça-feira, 9 de outubro de 2012

 
 
 

Software Livre: um movimento democrático pelo conhecimento tecnológico

 
 
 
 
      O  advento da internet e a sua expansão tem promovido nessas últimas décadas a disseminação da informação, deixando de ser um privilégio apenas da indústria. Através da rede, podemos obter e emitir informação, o que tem promovido uma transformação de ordem social, política e cultural, na sociedade contemporânea mundial.
  Considerando o conhecimento um bem fundamental da humanidade, a internet vem em muito contribuir para a diminuição das disparidades sociais entre os povos. Nesse sentido, o software livre possibilita o compartilhamento do conhecimento  promovendo a liberdade do uso, a reprodução sem ônus, bem como as modificações que os usuários quiserem fazer e a redistribuição. Ao usar um software livre, nos tornamos simultaneamente receptores, autores e produtores do conhecimento, sem contudo sermos os donos. Isso graças, ao acesso disponibilizado do código-fonte pelos idealizadores do software, transformando, dessa forma,  o programa em um bem público e disponível para qualquer pessoa utilizá-lo da maneira que lhe for mais coveniente. Ao contrário do software livre, o software proprietário não nos permite fazer qualquer modificação uma vez que não temos acesso ao seu código-fonte. 
     A decisão de Richard Stallman em produzir um sistema operacional independente de licenças proprietárias de uso, veio realmente democratizar o acesso ao conhecimento tecnológico e ao desenvolvimento da inteligência coletiva, promovendo assim  a superação das disparidades sociais a partir da integração dos saberes.
    Inconformados com esse novo cenário, estão as grandes corporações que tem perdido espaço na arrecadação de  pagamentos de royalties. Com certeza, esses grupos estão na contra-mão do processo participativo em construir o conhecimento e proporcionar a independência da sociedade da informação e comunicação.
     Ámadeu (2004) cita cinco argumentos relevantes para que um país opte pelo uso de softwares livres: a macroeconomia, a segurança, a autonomia tecnológica, a independência de fornecedores e a democracia. Ao escolher o uso de software com código aberto através de políticas públicas, o país   possibilita a participação  indiscriminada das pessoas na cibercultura, promovendo o desenvolvimento social, cultural e político da  nação.   





 

terça-feira, 29 de maio de 2012


Sobre a inclusão  digital




       Embora o termo exclusão tenha ganhado evidência nas últimas décadas, segundo Ribeiro (1999), trata-se de uma expressão usada desde os primórdios da humanidade para referir-se ao processo de segregação por questões religiosas, políticas, étnicas, econômicas e de saúde. É um termo amplo e tem promovido discussões em torno do seu uso, seja relacionado às questões sociais, ao mundo do trabalho e a questões que envolvem os serviços prestados pelo Estado. Atualmente está associado ao surgimento das políticas neoliberais que têm promovido o desemprego e o aumento do estado de pobreza da população, caracterizando assim o modelo da sociedade contemporânea. Na discussão sobre a abordagem crítica desse termo  Bonilla (2011) cita Castel (2003) para relacionar a exclusão social como “uma problemática social que se constitui a partir da existência de indivíduos afastados de seus pertencimentos coletivos, vivenciando carências ou desvantagens sociais: pobreza, falta de trabalho, sociabilidade restrita, condições precárias de moradia, entre outras.” Apesar desse afastamento, os indivíduos continuam a pertencer a sociedade, daí alguns autores, como é o caso de Nardi(2002) não concordar com o termo “excluídos”. Trilhando esse raciocínio, não faz sentido também falar em inclusão, uma vez que incluir pressupõe colocar para dentro, mas como foi dito os indivíduos, ainda que marginalizados, já estão na sociedade.  A sugestão para um melhor   entendimento da inclusão/ exclusão consiste em nos aprofundar historicamente no processo que deu origem as desigualdades sociais e econômicas e, buscar compreender qual o papel do Estado nesse percurso. De acordo com Bonilla (2011), a substituição do termo exclusão pelo conceito de “desfiliação social”, como propõe Castel (1999), consiste na ideia de focar nas causas dos problemas sociais, bem como analisar os processos que geraram esses problemas. Para poder, a partir daí promover uma transformação nas estruturas e nas dinâmicas sociais.


     No âmbito das políticas públicas, a exclusão social tem sido tratada de forma equivocada e desarticulada. Um exemplo disso é a implantação do sistema de cotas nas universidades e nos institutos de educação. Ao invés de modificar a estrutura da educação básica, o Estado opta pela politica compensatória que promove uma inclusão que só reforça a característica excludente da sociedade capitalista. Sobre isso, Ribeiro (1999) afirma que “a luta pela inclusão é também uma luta para manter a sociedade que produz a exclusão.”. 


     Da mesma forma que os termos exclusão e inclusão são inapropriados quando discutimos a questão social, os termos exclusão e inclusão digital também não dão conta da questão que envolve o uso das TIC no contexto da sociedade da informação. Parece óbvio que numa sociedade desigual, a população pobre não tenha acesso às tecnologias de informação e comunicação. Daí, incluir essas pessoas nessa sociedade informacional significa possibilitar o acesso igualitário e o uso pleno das TIC de forma a ampliar o que propõe as políticas públicas para a superação da pobreza ou das desigualdades sociais. (BONILLA, 2011, p.43). 


    O que estamos presenciando em relação às politicas públicas para diminuir as desigualdades sociais é a inclusão digital através da  aquisição e manuseio  do computador  sem, contudo aliar a essa ação uma participação ativa e questionadora do consumidor. Ao contrário disso, é preciso articular o uso das máquinas às atitudes que consistem na produção, na interação, na tomada de decisão para que as pessoas possam se sentir plenas na efetivação dos seus direitos,  se situarem como donas da sua história e poderem exercitar a sua cidadania.

segunda-feira, 21 de maio de 2012


 Inclusão Social


          Ao longo do tempo, a sociedade tem se mobilizado no sentido de promover a participação social dos idosos e pessoas com alguma deficiência, seja auditiva, visual, locomotora, cerebral, etc.. Algumas ações vêm sendo colocadas em prática, mas podemos perceber que não têm resolvido a questão. Um exemplo disso é a doação, por parte do governo, de cadeira de rodas para as pessoas deficientes e que não têm recursos para comprar. Todavia, essas pessoas muitas vezes não têm condições de se locomover por causa das calçadas que são inapropriadas ou porque a plataforma elevatória dos ônibus, para cadeirante, está quebrada. Assim, não adianta o benefício se a pessoa não tem condições de andar. É preciso que as calçadas sejam adequadas pra o trânsito, de todos,  que os meios de transporte coletivos estejam em condições de acesso, bem como toda a estrutura que permita o uso desse serviço. Outro exemplo: no Campus Salvador, do IFBA, tem alunos com deficiência auditiva, intérprete da língua de sinais na sala de aula, contudo os professores falam que o processo de ensino e o de aprendizagem não têm sido satisfatórios. Que inclusão é essa?. Penso que se o governo impõe a inclusão nas escolas, é preciso que dê condições para que essa inclusão seja verdadeira e não uma ação que vai machucar mais do que se a pessoa não tivesse acesso à escola, pois uma sala com aproximadamente quarenta alunos e professores desqualificados para essa prática torna-se frustrante, tanto para o professor quanto para o aluno. Por outo lado, tenho pensado numa frase que Bonilla me falou, na semana passada: “toda inclusão é excludente”. No texto “A Tecnologia Assistiva: de que se trata?”, Teófilo Galvão Filho (2009) se refere ao conceito de Desenho Universal “que trás consigo a ideia de que todas as realidades, ambientes, recursos, etc., na sociedade humana, devem ser concebidas, projetados, com vistas à participação, utilização e acesso de todas as pessoas”, ou seja, as situações são projetadas para todos, com ou sem necessidade especial, sem estabelecer uma realidade de segregação para as pessoas idosas ou com alguma limitação. Se a sociedade avançar nesse sentido, não cometerá mais o equívoco da inclusão perversa que temos presenciado e então, se transformará numa sociedade naturalmente inclusiva.  


       Quanto aos recursos tecnológicos que têm sido desenvolvidos para facilitar a independência e melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência e  idosos, podemos perceber que muito têm ajudado, não só a essas pessoas, bem como aos familiares e cuidadores que fazem parte do seu dia-a-dia.

terça-feira, 15 de maio de 2012


A Cidade Desplugada




     Desde o surgimento da internet as mudanças tecnológicas não param de acontecer e, não dá para fazer previsões sobre o futuro da informação e comunicação. Atualmente vivemos a era do desenvolvimento das mídias móveis que possibilitam a comunicação de qualquer lugar, a qualquer tempo. Trata-se da computação ubíqua, pervasiva e senciente que tem transformado as práticas sociais, a vivência nos espaços urbanos e a forma como produzimos e consumimos a informação. Estamos falando de mobilidade. Em seu artigo Cibercultura e Mobilidade: a Era da Conexão, Lemos (2004) define mobilidade como sendo o movimento do corpo entre espaços, entre localidades, entre espaços públicos e privados. E quando falamos em mobilidade pensamos imediatamente no telefone celular, pois representa, hoje, o exemplo mais popular da tecnologia móvel. Com a evolução da telefonia celular e a conexão da rede sem fio, o espaço público está se configurando em espaço de fluxos, isto é, não precisamos mais nos prender aos lugares fechados com acesso à  rede, estamos nos transformando em verdadeiros nômades da internet da sociedade contemporânea. Segundo Lemos, o celular passou a ser o “teletudo” para a gestão móvel e informacional do quotidiano. Com ele, podemos telefonar, enviar e receber mensagens, tirar fotos, acessar a internet, ouvir música, assistir TV, enfim fazer tantas outras atividades que são possíveis a partir da convergência de mídias. A desterritorialização é uma das consequências das mudanças nas tecnologias de comunicação sem fio. Com isso, a mobilidade tem modificado a forma das pessoas interagirem, alterando as relações sociais, familiares e profissionais. O vídeo abaixo nos mostra um exemplo dessas mudanças.




     Outra forma de acesso à internet sem fio que tem se multiplicado rapidamente é a tecnologia WI-FI (Wireless Fidelity), que tem reforçado a tendência mundial da conexão nômade. Podemos a partir de um hot spot, acessar a internet em diversos locais, sejam shopping centers, cafés, aeroportos, hotéis, etc. Essa forma, mais simples e rápida, de acesso a rede tem proporcionado as smart mobs  que consiste na mobilização de muitas pessoas em espaços urbanos para a realização de atos públicos, sejam eles culturais ou políticos. De acordo com a avaliação dos estudiosos na área da informação e comunicação, a mobilidade é a grande expectativa para o futuro, haja vista a competitividade das empresas  midiáticas que têm desenvolvido produtos cada vez mais sofisticados e que permitem o acesso a informação em tempo real.    
      O propósito dos ciberativistas atualmente  é o acesso livre às redes WI-FI em todos os espaços públicos como praças, jardins, parques, ônibus, consolidando assim a “Cidade Desplugada”. Contudo, para que isso ocorra é preciso que a banda larga seja uma realidade para todas as regiões e não apenas para as grandes metrópoles.

terça-feira, 24 de abril de 2012


                                                 OS NÓS DO HIPERTEXTO


     Na história da humanidade verificamos que muitas das invenções humanas foram determinadas a partir das necessidades que o homem teve para resolver seus problemas. Penso que, a internet é um exemplo dessa busca, uma vez que após o seu surgimento, em 1969, pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o homem encontrou a solução para a disseminação da informação num curto período de tempo e no alcance de grandes distâncias.
      O hipertexto, texto digital, multidimensional, de natureza não sequencial e não linear, tem se constituído numa importante fonte de construção do conhecimento, uma vez que se trata de um instrumento que possibilita ao leitor seguir por diversos caminhos dando oportunidade de leitura e escrita, o que favorece o desenvolvimento da cognição. Mesmo surgindo antes da internet, o hipertexto só veio ser praticado efetivamente após o advento da WWW, por possibilitar a interatividade entre os usuários da Web. Sendo uma atividade que pode ser construída de forma coletiva, no caso do hipertexto cooperativo (Primo,2002), a interação mútua entre os internautas acontece de modo que todos sejam autores do mesmo texto, já que todos podem incluir e/ou excluir palavras, links, gráficos, imagens, músicas etc.. Penso que, como um espaço colaborativo, onde os usuários tem a autonomia para efetuar as alterações que acharem pertinentes, é importante para a rede de informação social que a participação individual seja feita com responsabilidade para que o texto constitua-se de um instrumento confiável e de utilidade pública.
    A medida que ia fazendo a leitura do artigo de Maria Clara Aquino sobre o resgate histórico do hipertexto, fui imaginando como surgiu a ideia do Memex, por Vannevar Bush, em 1945: a necessidade de compartilhamento de informações, de forma rápida e eficiente entre os pesquisadores da Agência de Desenvolvimento e Pesquisa científica do Governo Norte Americano, a constituição do equipamento, o seu funcionamento, e daí, fui construindo mentalmente todo o cenário da época, de forma que estabeleci associações baseadas na prática hipertextual. Aquino (2006), afirma que o hipertexto surgiu com a leitura e a escrita, o que acho aceitável, basta pensar que quando estamos lendo fazemos conexões com diversos saberes e damos vazão a criação mental.
   Quando navegamos num hipertexto com o intuito de pesquisarmos a respeito de um determinado conhecimento, devemos ficar atentos ao nos depararmos com os nós (Levy, 1993) interconectados ao texto, pois a medida que adentramos por esses nós (links), se não tivermos firmes no nosso objetivos, corremos o risco de nos perdemos na rede de informações e não realizar a tarefa inicialmente proposta. Mas, sem dúvida, esses nós fazem do hipertexto uma opção de leitura dinâmica e atraente.